Os bastidores da Copa do Mundo que se tornaram atração

Todos os holofotes se voltam para a Rússia, no evento esportivo mais visto no mundo, atrás apenas dos Jogos Olímpicos. Com o intuito de unir os povos, de mostrar ao mundo que, em meio a tantos escândalos, problemas sociais e morais, o mundo se concentra em um país e fala o idioma chamado futebol.

Em meio a esse momento único não poderia faltar os torcedores, pois o que seria de um time sem esse apoio moral de seu país?

E lá se foram os brasileiros torcer e vibrar para a seleção canarinho.

Mas, eis que os holofotes mudaram de foco e estacionaram em meio à folia e alegria das diferenças de dialeto. Brasileiros são brincalhões e sempre querem “zoar” seus adversários.

O vídeo mais falado e mais triste é aquele no qual um grupo de brasileiros dizem palavras obscenas e incentivam as mulheres de outras nacionalidades a repetirem, as quais, claro, não sabiam que se tratavam, pois foram enganadas.

Após o vexame das redes sociais, as russas descobriram os significados das palavras e, óbvio que se incomodaram com a brincadeira, se sentiram ofendidos pelos brasileiros.

E Agora?

Foto de Carlos Bassan disponível em fotospublicas.com

 

Importante entender a situação, pois trata-se de povos com costumes diferentes em um ambiente festivo e de confraternização, no qual todos os países se reuniram par festejar. Não se pode negar que  a alegria daquele momento permitiu que tantos brasileiros quantos Russos ficassem eufóricos e se deixassem levar pela situação pela emoção e por aquele momento, não fosse o fato da filmagem e toda a divulgação que as redes sociais proporcionam  não teria  a repercussão mundial como aconteceu.
Sem qualquer pretensão de proteção a apenas brasileiros mas com o intuito de observar o fato sob a ótica da situação principal que foi a comemoração e a alegria onde essas pessoas se reuniram para comemorar a vitória e a participação de seus países na copa e, lembrando que o foco da Copa exatamente é a solidariedade entre as pessoas e a unificação entre os povos e entre os países, deixando de lado todas as diferenças todas as crenças e as divergências.

 A alegria foi maculada pela infeliz ideia que culminou com a imagem de brasileiros e russas em situação vexatória.

Assim, vive-se, no mundo jurídico, um desafio diante de todo o aparato tecnológico que vem se refletindo na vida das pessoas, necessitando atenção e tratamento dispensado a este instituto que deve acompanhar a tecnologia da informação para responsabilizar o uso indevido da imagem.

A violação da imagem apresenta algumas discussões doutrinárias: se as ofensas à imagem estariam no campo do direito à honra, e que a honra estaria em prejuízo nos casos de ofensa à imagem-atributo, mas o universo da imagem possui inúmeras facetas, não basta o conceito de violação à honra, mas a violação à imagem pode acontecer quando for usurpada uma imagem ou vídeo em uma situação de comemoração de uma copa.

A violação à imagem tem como consequência a reparação por dano moral, vale dizer que a circunstância em que o dano moral acontece possui diversos conceitos, desde a ofensa à honra, identidade, intimidade, privacidade, divulgação de imagem não autorizada pela pessoa, o que no caso concreto todas as pessoas envolvidas concordaram em participar da brincadeira e do vídeo.

Para o direito no Brasil, existe o direito à própria imagem, direcionando para a vítima da violação o direito de vindicar a reparação, seja pecuniária ou mesmo um desagravo, de forma a devolver ao status quo ante a violação à imagem.

Da imagem violada há um dano a ser reparado e o dano moral indenizável ocorre quando alguém, em razão da prática de um ato ilícito, suporta uma dor ou constrangimento, ainda que sem repercussão em seu patrimônio, mas com efeitos íntimos e psicológicos. A personalidade do indivíduo é o repositório de bens e ideais.

E, não se pode negar é que a vergonha e vexame, não ficou apenas para as russas mas também para os brasileiros, que inadvertidamente abusaram da brincadeira.

As redes sociais se tornaram tão integrada à vida das pessoas, que impressiona pensar que os muitos cérebros conectados na internet, olhando, vigiando e se comunicando transformam gerações, transformam as pessoas; está transformando a cada pessoa, o planeta, nossa espécie, tudo, em periféricos de computador ligados às grandes nuvens computacionais. Este é um problema que ultrapassa a filosofia e entra no âmbito da política. Garantir a efetividade dos direitos fundamentais, da proteção da imagem – da intimidade diante do fenômeno informático, em particular, é a grande questão enfrentada pelos juristas.

A imagem diz muito mais do que muitas palavras, seja ela integral, seja de partes do corpo, voz ou mesmo os atributos da pessoa, como ser social. O patrimônio da pessoa, a imagem de si e a imagem vista pelas pessoas, a imagem social, a imagem no espaço virtual, os avatares. Entende-se que no atual contexto, a internet incorporou-se à vida das pessoas definitivamente e a imagem é o canal de conexão. Surge a imagem virtual, aquela veiculada na internet, que seria a imagem ideal de quem a transmite, raramente correspondendo a realidade.

Justamente por ser a imagem ideal, o desejo profundo de ser, a mácula à imagem causa uma dor profunda naquele cuja imagem foi violentada. É uma ofensa que, paradoxalmente, atinge diretamente algo que não existe de fato, mas que tem existência apenas no campo da virtualidade cibernética. É dor que atinge o ser mais profundo, o íntimo desejo de ser, a imagem criada de si como pessoa, ou imagem comercial, profissional, porém, sempre algo que não pode existir como uma coisa real, mas sempre virtual, imaginada, que se fosse possível desligar todos os computadores da terra estas imagens desapareceriam como se jamais tivessem existido.

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